12/03/2012

"Calote" da Fundação Roberto Marinho obriga Ministério do Turismo refazer cursos

O Ministério do Turismo lançará, até o final de março, o Pronatec Copa, um programa gratuito de qualificação, com cursos de inglês e espanhol, voltado para 80 mil profissionais do turismo envolvidos com a Copa-2014.

A iniciativa é uma repetência da tentativa fracassada de fazer essa qualificação através da Fundação Roberto Marinho (ONG ligada à TV Globo que recebeu R$ 17 milhões do Ministério com a expectativa de qualificar esses 80 mil profissionais, porém um relatório do TCU só localizou 19.751 alunos, até a data analisada, o que caracteriza um "calote" de cerca 60 mil alunos).

Dessa vez o Ministério do Turismo passou longe da ONG da Globo, e fez parceria com o Ministério da Educação, usando as escolas técnicas federais e o sistema S.

Essas 80 mil vagas serão no ano de 2012. Outras 160 mil vagas serão abertas pelo PRONATEC Copa em 2013 e 2014.

Já que o governo será obrigado a pagar de novo por estes cursos, nós, cidadãos brasileiros, pedimos celeridade aos órgãos de controle, inclusive ao Ministério Público que investiga as recentes fraudes no Ministério, para reaver aos cofres públicos a cifra milionária recebida pela Fundação Roberto Marinho.
 
Com blogs

01/03/2012

O Grande Mentiroso - Candidato a São Paulo ou à presidência da República?

 
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José Serra
Pela carta entregue ao diretório municipal tucano de São Paulo já sabemos: José Serra é candidato à presidência da República. E não a prefeito da cidade.

Serra deve prestar contas do que fez na cidade e por que a abandonou depois de 15 meses de gestão. Fora o fato que tinha se comprometido - em cartório - a não deixar o mandato, tem, ainda, que prestar contas dos 6 anos e 9 meses de governo de Gilberto Kassab, com apoio integral do PSDB e seu próprio enquanto foi governador.

Deve explicar, ainda, sobre o que pretende fazer no governo da cidade - e não no Brasil. Serra precisa garantir aos eleitores e cidadãos de São Paulo que não vai abandonar a cidade de novo. Ou que vai usar o mandato de prefeito como escada para disputar a presidência da República. E que, tampouco, ficará viajando pelo Brasil na condição de pré-candidato ao governo federal.

Hora de pré-campanha

Da nossa parte, a tarefa, agora, em São Paulo, é fazer a pré-campanha, como Fernando Haddad já está fazendo há mais de 50 dias. É hora de percorrermos os bairros da cidade e apresentarmos as soluções para a realidade do dia a dia do paulistano e da cidade, consolidando seu nome dentro do PT e nos movimentos sociais que nasceram e cresceram conosco.

Os movimentos sociais, aliás, são a razão de ser do PT e a raiz de nossas políticas públicas de saúde, educação, transportes, justiça e segurança. São também a fonte da nova visão da cidade, do seu crescimento sustentável e justo, com distribuição de renda e serviços públicos de qualidade.

Queremos para São Paulo que ela seja uma cidade do século XXI, onde haja acesso a cultura, lazer e esportes. Onde os espaços públicos e a mobilidade não se limitem a privilégio de alguns. Buscamos construir uma cidade de serviços e um grande centro cultural e de convivência de todos brasileiros e estrangeiros que a amam e nela vivem. Agora é hora de construirmos as alianças com nossos parceiros no primeiro e no segundo turnos.

Com blogs

20/02/2012

A farsa tucana e a verdade sobre a educação de Minas Gerais

“Todas as informações são comprovadas por dados publicados pelo próprio governo estadual e estão à sua disposição. A convidamos para conhecer uma escola estadual mineira para comprovar que o personagem das peças publicitárias não corresponde à realidade em Minas Gerais”

Débora Falabella Educação Minas Gerais
Atriz encabeça campanha publicitária do governo de Minas Gerais
Abaixo, transcrevemos carta do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais endereçada à atriz Débora Falabella em resposta à campanha publicitária mentirosa veiculada pelo Governo de Minas em horário nobre e que tem a atriz como protagonista.

Prezada Débora Falabella,

Às vezes vale a pena recusar alguns trabalhos apenas para não decepcionar milhares de fãs.
Às vezes vale a pena procurar mais informações sobre o personagem que você irá representar.
Milhares de professores, alunos e comunidades foram extremamente prejudicados pelo governo de Minas Gerais em 2011 e o que você afirma através das peças publicitárias não corresponde à realidade.
No sentido de informá-la da real situação da educação mineira, apresentamos informações:
– O Governo mineiro investe apenas 60% do total dos recursos que deveria investir em educação. O restante vai para fins previdenciários;
– Desde 2008, há uma diminuição do investimento do governo estadual em educação;
– No que se refere à qualidade da educação, o Estado de Minas Gerais tem resultado abaixo da média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE);
– Apenas 35% das crianças mineiras até cinco anos frequentam estabelecimentos de ensino em Minas Gerais. Onde está o direito à educação de 65% destas crianças?

A realidade do Ensino médio é igualmente vergonhosa:

– nos últimos 6 anos houve uma redução de matrículas no Ensino Médio de 14,18%;
– O passivo de atendimento acumulado no ensino médio regular entre 2003 e 2011, seria de 9,2 milhões de atendimentos. Isso quer dizer que nem todos os adolescentes tiveram o direito de estudar garantido;
– Minas Gerais, comparativamente à média nacional, tem a pior colocação em qualidade da escola: 96% das escolas não têm sala de leitura, 49% não têm quadra de esportes e 64% não têm laboratório de ciências

Os projetos e programas na área da educação são marcados pela descontinuidade e por beneficiar uma parcela muito pequena de alunos.

Veja:
– O Projeto Escola de Tempo Integral beneficiou 105 mil alunos, num universo de 2,5 milhões de alunos;
– O programa professor da família não atinge as famílias mineiras que necessitam de ajuda e tampouco é feito por professores, mas por pessoas sem a formação em licenciatura;
– O Estado não tem rede própria de ensino profissionalizante, repassando recursos públicos à iniciativa privada.
A respeito dos dados sobre o sistema de avaliação, é importante que saiba que são pouco transparentes, com baixa participação da comunidade escolar e ninguém tem acesso à metodologia adotada para comprovar a sua veracidade.
Quanto à valorização dos profissionais da educação relatada nas peças publicitárias, a baixa participação em inscrições para professor no concurso que a Secretaria de Estado realiza comprova que esta profissão em Minas Gerais não é valorizada.
O Governo de Minas não paga o Piso Salarial Profissional Nacional, mas subsídio. Em 2011, 153 mil trabalhadores em educação manifestaram a vontade de não receber o subsídio. Ainda assim o Governo impôs esta remuneração.
Em 2011 o governo mineiro assinou um termo de compromisso com a categoria se comprometendo a negociar o Piso Salarial na carreira. Mas o governo não cumpriu e aprovou uma lei retirando direitos, congelando a carreira dos profissionais da educação até dezembro de 2015.

Compromisso e seriedade com os mineiros são qualidades que faltam em Minas Gerais.

Todas as informações são comprovadas por dados publicados pelo próprio governo estadual e estão à sua disposição. Por fim, a convidamos para conhecer uma escola estadual mineira para comprovar que o personagem das peças publicitárias não corresponde à realidade em Minas Gerais

06/02/2012

Escândalo - Estudante relata desvio de doações no Pinheirinho

A estudante Isadora Szklo, 19 anos, fez um relato bastante preocupante sobre uma situação que viveu  no Pinheirinho.

Aliás, se a situação é ruim ela pode ficar pior, porque a mídia (incluindo a independente) que cobria o caso, já deixou o local. Os moradores agora estão à mercê da mão violenta dos governos de da polícia.
Segue o relato de Isadora:

“Fomos hoje entregar as muitas doações para as famílias desalojadas na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Ao chegar próximo do local, notamos uma grande movimentação e vimos que os ex-moradores estavam sendo removidos da Paróquia, a pedido do Padre, e sendo encaminhados para outro lugar, um ginásio, a 4 km dali. Quatro quilômetros percorridos por eles no sol de 35 graus, a pé.

Chegando ao ginásio, a Prefeitura estava tomando conta do local e a PM estava cercando, coisas que não haviam ocorrido na Igreja. Entregamos nossas mais de 15 sacolas enormes com doações de roupas, comida e itens de higiene à Juliana, que era quem estava organizando, na medida do possível, tudo lá dentro.

Com blogs

31/01/2012

Democracia X Capitalismo


No final de 2008 pareceu que o segundo muro havia ruído 19 anos após a queda do primeiro em Berlim. Este para selar o colapso do chamado socialismo real, aquele da main street do capitalismo para precipitar o enterro do neoliberalismo. Enganaram-se os esperançosos analistas, apressados. O célebre wall resistiu e o mercado prosseguiu no comando, perdão, o MERCADO, deus último e famigerado.

Leio um texto exemplar de Carlo Azeglio Ciampi, límpido funcionário do Estado, ex-presidente do Banco Central da Itália, ex-primeiro-ministro, ex-presidente da República. Diz ele: “Desafiaram a lei moral que permite distinguir a comunidade humana da selva (…) fizeram da finança, aquela que, conforme os manuais de economia, está a serviço da produção, da troca, do desenvolvimento, uma selva onde se satisfazem apetites ferinos, onde impera a lei não escrita do desprezo por todos os valores, afora o ganho, o sucesso, o poder”.

Ciampi fala de uma tormenta que dura há três décadas e confere ao capitalismo “um rosto desumano”. A crise global atiça, em diferentes instâncias, o debate sobre o estágio atual do capitalismo. Das lideranças das forças produtivas aos intelectuais de diversos calibres e aos analistas de publicações de alto nível, como The Economist, Foreign Affairs, Financial Times. Em questão, o modelo político e econômico ocidental, a partir de mudanças consolidadas. A globalização com seus efeitos mais recentes, por exemplo. Ou o galope do avanço tecnológico.

É do conhecimento até do mundo mineral que conseguimos globalizar a desgraça ao aprofundar os desequilíbrios entre ricos e pobres em todas as latitudes de uma forma bastante peculiar. Deixemos de lado o Brasil, reservado, como se diz de certos elementos de receitas culinárias. Sobram países pobres, ou mesmo paupérrimos, e que continuam como tais, e países ricos cada vez mais empobrecidos. A constatação inevitável nos leva a validar a tese de que a riqueza foi transferida para algumas corporações e seus mandachuvas. São eles os donos do mundo. A senhora Merkel, o senhor Sarkô, tentam se dar ares de superioridade, mas não convencem.

É a vitória dos especuladores e de -suas artimanhas, e não era com isso que sonhava Adam Smith. Ou, muito tempo antes, o banqueiro genovês que financiou a construção dos barcos destinados ao transporte das tropas da Primeira Cruzada. As consequências do neoliberalismo, deste selvagem fundamentalismo, não põem em xeque somente o sistema econômico mundial, mas também a própria democracia, a qual não se satisfaz com a -liberdade para buscar a igualdade. Ao menos, a igualdade de oportunidades.

O mundo mineral continua a confirmar o senhor De La Palisse. O neoliberalismo promove o predador espertalhão, ou, por outra, a lei da selva, a acentuar a desigualdade. E onde fica a democracia? Daí a preocupação de quem ainda a considera indispensável à realização de uma sociedade que se pretenda justa. Chegou a hora de retirar o Brasil da reserva em que me permiti colocá-lo, à espera de completar a receita. O Brasil tende a sofrer menos com a crise, talvez muito menos, do que a turma outrora seleta do ex-Primeiro Mundo.

O País deu e dá importantes passos à frente nos últimos nove anos. Começa finalmente a aproveitar suas extraordinárias potencialidades, os generosíssimos presentes da natureza, graças a governos contrariados pela desigualdade. Como haveria de ser, aliás, todo capitalista consciente das suas responsabilidades de cidadão de uma nação democrática. Podemos crer que, de fato, somos uma nação democrática?
O Brasil é, a seu modo, um caso à parte, como alguns outros países. Carecemos da passagem pelo Iluminismo e pela Revolução Francesa. A dita elite brasileira é uma das mais atrasadas do mundo. Nunca usufruímos de um Estado de Bem-Estar Social e os sistemas da indiscutível atribuição estatal, educação, saúde e transporte público, são além de bisonhos. São Paulo tem a segunda maior frota de helicópteros do mundo e uma enorme área do País não conta com saneamento básico. Nesta moldura, a democracia há de lutar bravamente para se afirmar.

A vantagem quem sabe esteja no seguinte ponto: a democracia perde terreno para tantos que a conheceram e praticaram, nós temos largo espaço à frente para conquistá-la.

Com web

22/01/2012

Declarações dos BBB's que saíram complicam a TV Globo

O participante expulso do Big Brother Brasil (BBB), da TV Globo, declarou que simulou fazer sexo  como estratégia de jogo no programa, formando um casal para permanecer no programa.

A emenda pode ser pior do que o soneto.

A declaração não é nada boa para a TV Globo, e não é só perante o telespectador, que estará se perguntando: se foi combinado com a produção, o programa é totalmente falso, a realidade passa longe do show. Se não foi combinado com a produção, como eles não interromperam um ato que poderia ser estupro de vulnerável?

Também não é boa para a TV Globo perante as leis, pois, caso fique comprovado simulação de um crime (estupro de vulnerável), pode cair no mesmo caso do programa do Gugu, quando foi suspenso (retirado do ar por um domingo, quando era no SBT).

O programa do Gugu havia mostrado dois homens armados e encapuzados, dizendo integrar a facção criminosa PCC, e fazendo ameaças a diversas personalidades. Depois ficou constatado que a cena era simulada pela produção.

Um eventual processo "O povo X TV Globo" seria prejudicado com o confinamento das testemunhas sob guarda da TV Globo

Outra participante do programa, que saiu via paredão, Analice, durante entrevista coletiva falou sobre a polêmica que levou à investigação policial por suposto estupro de vulnerável: “A gente não teve informação do por que ele teria saído do programa. Ficamos perplexos e começamos a especular. Mas aí, eles pediram para a gente não comentar mais”.
A declaração complica a situação da produção do BBB e da TV Globo perante o judiciário.

A Globo pode vir a ser ré, caso se comprove sua responsabilidade, seja em infrações criminais ou civis, por danos culposos (sem intenção, mas por assumir riscos ou por negligência).

Os participantes do programa são testemunhas, e há pelo menos uma vítima em potencial, senão duas.

Alguns participantes estavam no quarto. Outros trocaram confidências com os envolvidos no episódio, e por serem confidentes também são testemunhas chave.

E as testemunhas estão amarradas por contratos a ficarem confinadas e obedecerem as determinações da direção do programa. Por isso estão sob controle do departamento jurídico da TV Globo, que é parte interessada nos eventuais processos, inclusive na potencial condição de ré.

Ao que parece, as próprias supostas vítimas estão recebendo assistência jurídica da TV Globo, o que pode prejudicar a compreensão de seus direitos individuais e interesses conflitantes com a emissora.  É análogo à um patrão fornecer advogado ao empregado numa causa trabalhista, e manter a exclusividade dos contatos com as testemunhas.

A situação é grave, pois coloca as testemunhas e supostas vítimas, à mercê de uma parte interessada no processo, que poderia, em tese, até preparar testemunhas.

Se, para dar um exemplo, ocorresse coação de testemunha, combinação de depoimentos forjados ou obstrução à justiça, seria caso de prisão cautelar de quem agisse de tal forma, fosse o Boninho, ou quem fosse.

A questão levanta a necessidade de medidas cautelares do judiciário, para que os participantes do BBB sejam libertados do confinamento, e sejam colocados em linha direta com promotores de justiça.

São os promotores que, num eventual processo "O povo X TV Globo", respondem pelos interesses da sociedade, e para fazer justiça às vítimas.

07/01/2012

Nada mais conservador do que um ex-comunista. É a síndrome do ex-fumante ou do ex-drogado, o cara que cria uma fundação para pregar a moral que não viveu

ferreira gullar lula direita conservador
O triste fim de um poeta

Ano-Novo, vida velha. Ferreira Gullar foi um baita poeta. O seu "Poema Sujo" é arte das grandes. Foi artista engajado, mas a sua poesia conseguia ir muito além dos clichês bem-intencionados dos revolucionários. Hoje, certamente para ganhar a vida ou sentir-se vivo, escreve "crônicas" na Folha de S.Paulo. O seu primeiro texto de 2012 mostra o grande poeta transformado num cronista de meia pataca destilando lugares-comuns conservadores para felicidade de leitores conformistas que se acham cult ou muito críticos. Um mingau azedo polvilhado de certezas sem amparo dos fatos. Por exemplo: "A América Latina vive hoje, por determinadas razões, a experiência do neopopulismo, que tem como principal protagonista o venezuelano Hugo Chávez. É um regime que se vale da desigualdade social para, com medidas assistencialistas, impor-se diante do povo como seu salvador. Lula seguiu o mesmo caminho, mas, como o Brasil é diferente, não conseguiu o terceiro mandato. A solução foi eleger Dilma para um mandato tampão". Como prova? Apenas o seu ranço.

Leia também:

Nada mais conservador do que um ex-comunista. É a síndrome do ex-fumante ou do ex-drogado, o cara que cria uma fundação para pregar a moral que não viveu. Para ser colunista nos jornalões brasileiros, é preciso, em geral, ser muito conservador ou transferir capital de um bolso para outro, usando a fama de uma atividade como base para o exercício de outra. A direita domina amplamente os chamados espaços de formação de opinião na imprensa. Há jovens que sobem logo ao trono, adotando ideias reacionárias e velhas que, enfim, conquistam novos prêmios, espaços e adulações repetindo fórmulas gastas pela mídia soberana. Ao não buscar um terceiro mandato, Lula frustrou os seus críticos, tirou-lhes - para adotar o atual tom clichê de Ferreira Gullar - o pão da boca e deixou-os por aí a jogar conversa fora. Aquele que foi um poeta maior, de imagens desconcertantes, agora termina suas análises mal-iluminadas com uma frase formalmente constrangedora: "Temo pelo que possa acontecer à Argentina, nas mãos de uma presidente embriagada pelo poder". Pobre poeta, embriagado pela sua mediocridade. Embriagado pela mediocridade do poder da mídia. Enquanto isso, na mesma Folha de S.Paulo, um cronista de ofício, Carlos Heitor Cony, depois de algumas temporadas sentenciosas, faz o caminho inverso: termina de envelhecer bem, disseminando um ceticismo levemente irônico de dar inveja a um Machado de Assis. Assim: "Que venham as tempestades da natureza, contra a qual pouco podemos. Quanto às tempestades provocadas pelos escândalos e pela corrupção da qual estamos fartos, não custa apelar para o fervor de nossas preces".

Como cronista, Ferreira Gullar é um Neymar improvisado de lateral. Há quem confunda ter criticado o stalinismo, na época da queda do muro de Berlim e das ditaduras do Leste europeu, com louvação ao capitalismo sem regulação, esse que quebrou a Europa e parte da economia dos Estados Unidos. 

Por Juremir Machado da Silva

27/12/2011

Hipocrisias Tucanas - Desmascara-se mais um falso catão

Desce o pano e desmascara-se mais um falso catão! A Folha de S.Paulo mostra hoje que não um parlamentar qualquer da bancada tucana na Casa, mas seu líder, o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), tem um motorista para o transporte dos filhos em sua base eleitoral, Ribeirão Preto, pago pela Câmara dos Deputados.

O deputado confirma à Folha que o motorista atende a seus filhos e disse, candidamente, "não ver nada demais nisso". Que é isso, líder? As regras da Câmara pagam o trabalho de assessor parlamentar nos Estados, desde que a atividade seja inerente ao exercício do mandato parlamentar. E o  Ministério Público Federal (MPF) já esclareceu esta questão: considerou desvio de função a atuação de servidores em tarefas particulares.

E agora, o que esperar disso? Pelos precedentes, e da forma ruidosa e furiosa como agem quando a denúncia envolve alguém do governo, o mínimo a esperar é que ele se afaste do cargo. E vai renunciar ao mandato? Pedir ao MPF e à Polícia Federal (PF) que o investiguem?

Vai dar no JN? Vão exigir que ele renuncie?...


Duarte Nogueira, líder tucano na Câmara, vai abrir seu sigilo fiscal, bancário e telefônico? Vai fazer tudo o que os integrantes de seu partido e da oposição exigem quando o denunciado é do governo? Se não deu ainda, o Jornal Nacional da Rede Globo vai dar a notícia como o faz com suas vítimas quando as escolhe no governo, PT ou na base aliada?

Vamos ver o que vão fazer. Principalmente se ele vai renunciar ao mandato, se seu partido vai linchá-lo moralmente em público, se o JN vai dar...  se...

Minhas dúvidas e indagações são procedentes. Não posso deixar de expô-las, porque o líder do PSDB é integrante da mesma oposição que há meses mantém o governo no foco de denúncias. Vejam, uma oposição que tem vários de seus integrantes enlameados por práticas e acusações semelhantes e até mais graves do que às feitas à gente do governo.


Da web

20/12/2011

Hipocrisias Tucanas - Só agora ex-presidente descobre "assassinatos de reputações"

Lamentável, pouco oportuna na forma e infeliz a manifestação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, externada em nota oficial sobre o livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr, lançado ha úma semana. Sem contar que, atrasada - o livro foi lançado no sábado passado e FHC só se manifestou na 5ª feira seguinte.

FHC diz em sua nota: "Chega de assassinatos morais de inocentes. Se dúvidas houver - e nós não temos - que se apele à Justiça, nunca à infâmia". O ex-presidente adota, assim, um comportamento moral e politico sobre o livro e os eventualmente atingidos pela denúncias.

Um comportamento, registre-se, que jamais adotou durante esses meses todos - fiquemos apenas neste ano - quando reputações de vários inocentes foram assassinadas sem que o ex-presidente se pronunciasse em relação a um deles sequer.

FHC manteve silêncio enquanto PSDB fazia linchamentos morais


Os assassinatos de repútações ocorreram o ano todo praticamente, sem que o ex-presidente jamais protestasse contra eles em nome da presunção da inocência das vítimas,  ou evocando o principio de que o ônus da prova cabe ao acusador, ou mesmo lembrando que ninguém pode ser "assassinado" ou linchado moralmente sem que corra e chegue ao fim o devido processo legal.

Pelo contrário, o PSDB do ex-presidente e o tucanato todo estimularam e comandaram a caça as bruxas, o macarthismo e o linchamento público de inocentes, já que não se tratava de acusados processados e julgados. Alguns sequer eram investigados.

Com blogs

01/12/2011

Ex-subchefe do Gabinete e coordenador da campanha de Serra é preso no RGN! Cadê a Indignação, cadê as Marchas?

João Faustino Ferreira Neto, suplente do senador José Agripino Maia (DEM-RN), foi preso em Natal durante a Operação Sinal Fechado, deflagrada pelo Ministério Público Estadual. Foi acusado de pertencer a uma organização criminosa que teria atuado junto ao Departamento de Trânsito do Rio Grande do Norte.

Quando Serra se lançou candidato, João Faustino passou a coordenar a arrecadação de fundos de campanha fora de São Paulo. No Estado paulista, a coordenação era de Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, alvo também de investigações da Polícia Federal por suspeitas de desvios de recursos destinados ao complexo viário Rodoanel.

As acusações, basicamente, se referem ao que o MP chamou de golpes: um, o que obrigava os tomadores de financiamentos para compra de veículos do Rio Grande do Norte a registrar as transações em cartório (com custo de 130 a 800 reais por veículo, segundo o MP); outro, referente à contratação de uma empresa para fazer a inspeção veicular nos moldes da que a empresa Controlar faz em São Paulo.

O esquema em São Paulo

Promotor Roberto Antonio de Almeida Costa apresentou documentos que apontam 30 irregularidades que fundamentaram a ação que pediu o afastamento do prefeito e resultou no bloqueio de bens dele e de Eduardo Jorge.

Os documentos apontam no mínimo 30 irregularidades no próprio processo de licitação, além de problemas tributários. Essas questões foram denunciadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e pelo Ministério Público, mas, apesar do acompanhamento do MP nos últimos dois anos e da cobrança pela realização de uma nova licitação para o programa da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, Kassab manteve o contrato com as irregularidades denunciadas. De acordo com o promotor, “a partir da investigação não se encontrou provas concretas de corrupção, sonegação ou lavagem de dinheiro. Isso será investigado mais à frente”, ressaltando que as empresas envolvidas no caso financiaram a campanha eleitoral de Gilberto Kassab.

“O que há de mais grave, dentre cerca de, no mínimo, 30 irregularidades na licitação, é o desmando administrativo por parte dos agentes públicos em benefício das empresas privadas”, afirmou o promotor, que declarou também que “apesar de possuir provas meramente documentais, conta com o bom senso da Procuradoria Geral de reconhecer o caso, rescindir o contrato, realizar nova licitação e reparar os prejuízos financeiros da população”.

O MP exige que a prefeitura devolva R$ 54 milhões arrecadados em multas e R$ 420 milhões pagos pelos motoristas que pagaram a taxa de inspeção.

Da web

17/11/2011

Especialidade Tucana - Arrecadação nos pedágios já supera os R$ 5 bilhões

A arrecadação nos pedágios das estradas paulistas já superou, na primeira quinzena de novembro, R$ 5 bilhões. Isto significa que o valor pago pelos contribuintes nos 245 pontos de cobrança de pedágios das rodovias estaduais irá superar os R$ 5,3 bilhões arrecadados em 2010.

O valor foi assinalado pelo pedagiômetro - mecanismo que mede o quanto está sendo arrecadado em tempo real nos pedágios das estradas paulistas (http://pedagiometro.com.br/).

Dia 25 será o Dia D de combate às tarifas abusivas

Lideranças políticas e da sociedade civil em geral vão realizar no próximo 25 de novembro, o “Dia D”, como marco da luta contra as tarifas abusivas de pedágio nas estradas paulistas. O ato tem o apoio do mandato da deputada Ana Perugini, membro da Comissão de Transportes e Comunicações da Assembléia Legislativa.

Trata-se de um dia carregado de ações e atividades em muitos municípios, visando conscientizar a população da necessidade de revisão imediata da política estadual de concessão de rodovias, baseado no crescente número de praças de pedágios com os valores mais elevados do país, um dos mais caros do mundo. O ponto alto das manifestações populares terá lugar na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, à Rua Doutor Quirino, 560, Centro de Campinas, durante evento aberto ao público, a partir das 19 horas.

PT protocolou pedido de CPI

Em outubro, a Bancada do PT na Assembleia Legislativa conseguiu protocolar o pedido de CPI dos Pedágios. O pedido havia sido protocolado logo no início da atual legislatura, mas alguns deputados da base do governo que assinaram o pedido, recuaram e retiram o apoio à iniciativa da oposição depois de sofrerem pressão do governo.

O pedido requer a investigação dos valores das tarifas cobradas pelas concessionárias nas rodovias paulistas. Os deputados petistas defendem que as tarifas sejam justas e que não onerem excessivamente os bolsos da população paulista que paga os pedágios mais caros do Brasil.

Da Web

31/10/2011

Escândalo das Emendas: PSDB ‘enterra’investigação

Por 5 votos a 2, a base governista na Assembleia Legislativa enterrou ontem as investigações no Conselho de Ética sobre o suposto esquema de vendas de emendas parlamentares denunciado pelo petebista Roque Barbiere. Agora, para que as investigações prossigam na Casa, resta à oposição tentar emplacar a CPI, faltam duas assinaturas.

Votaram contra o requerimento de autoria de Campos Machado, pedindo que os trabalhos fossem encerrados e as informações coletadas enviadas ao Ministério Público Estadual (MPE), os petistas Marco Aurélio de Souza e Luiz Cláuido Marcolino. O presidente da comissão, Hélio Nishimoto (PSDB), não votou e o verde Dilmo dos Santos não compareceu.


Nem o fato de Roque Barbiere (PTB), em discurso no plenário, ter citado um nome, do deputado Dilmo do Santos (PV), que supostamente comercializa emendas, conseguiu reverter a manobra da base governista.

Os integrantes da comissão ainda votaram a prorrogação dos trabalhos por mais 15 dias para que o relatório final seja votado. Entretanto, ainda falta definir quem será o relator, uma vez que o deputado designado para o cargo, José Bittencourt, migrou do PDT para o novo PSD.

O próprio autor do requerimento que deu fim ao Conselho de Ética, Campos Machado (PTB), não soube informar qual o conteúdo do relatório final a ser enviado ao MPE. “Se não tem, não tem nada, é outro problema”, afirmou Machado, antes de acusar os jornalistas de formularem perguntas “vergonhosas” e “cretinas”.

“O resumo do Conselho de Ética é ‘tutti buona gente’ e o resumo da sociedade em relação a não apuração é ‘tutti ladrone’, disparou o líder da Minoria na Casa, deputado João Paulo Rillo (PT), após classificar como “margherita/quatro queijos” o relatório que será encaminhado ao MPE. “Peço ao relator que não se esqueça do orégano”, completa.

O líder da bancada tucana, deputado Orlando Morando, sustenta que o “Conselho não tinha muito mais o que fazer”, mas lembra que ele pode ser acionado novamente caso o deputado Roque Barbiere cite nomes ao MPE.

CPI?

O Conselho de Ética – cujo objetivo seria investigar as denúncias de Roque Barbiere encerrou seus trabalhos tendo ouvido apenas uma pessoa, o deputado Major Olímpio.

Ao longo de um mês, dos 20 requerimentos apresentados ao Conselho, apenas três, relativos a convites, foram aprovados. Entre os convidados, apenas Major Olímpio foi pessoalmente dar explicações, o próprio Barbiere e o secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB), enviaram por escrito suas declarações.

Enterrado os trabalhos do Conselho de Ética, a oposição, liderada pela bancada petista, mira as duas assinaturas que faltam para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Como o JT antecipou na edição de ontem, o pivô do escândalo das emendas, deputado Roque Barbiere (PTB), assinou o pedido.

Para tentar pressionar os deputados da base a assinarem o pedido, a bancada petista e movimentos sociais organizaram uma manifestação em frente a Assembleia Legislativa. Cerca de 350 manifestantes pediram a instalação da CPI. Mesmo assim, até o final desta edição, os petistas ainda não haviam conquistado mais assinaturas.
 
Por Zé Augusto

16/10/2011

SUDAM E SUDENE DOIS DOS MAIORES ESCÂNDALO DO GOVERNO TUCANO DE FHC

 De 1994 a 1999, houve uma verdadeira orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Em vez de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão.
O PT ajuizou ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência do governo. Na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios da ordem de R$ 1,4 bilhão.

A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC resolveu extinguir a Sudene, em vez de pôr os culpados na cadeia. O PT igualmente questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.

04/10/2011

Tucanos aconselhados a assumir o que os envergonha: que são de centro-direita

No imbróglio em que mergulha cada vez mais o PSDB, surgiu até uma estudiosa de partidos brasileiros, a professora norte-americana Frances Hagopian, que veio dar conselhos aos tucanos. Num dos ninhos deles, o Centro Ruth Cardoso (falecida 1ª dama, mulher do ex-presidente FHC), a professora ensinou o óbvio: que o PSDB tem que ser de centro-direita.

Botou o dedo numa ferida dos tucanos. A questão é exatamente essa, é que o tucanato, faz tempo, é de centro-direita. Às vezes, até de direita. Como foi seu candidato ao Planalto José Serra na campanha eleitoral presidencial do ano passado. Mas, não assumem.

Rápido na volta foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Ela disse a verdade. Não foi provocação", apoiou o ex-presidente ao analisar a palestra da professora norte-americana "conselheira dos tucanos".

Já fazem coalizões de centro-direita, mas publicamente renegam
Mas, o problema é outro. São as políticas da coalizão de centro-direita que o PSDB fez e com a qual governou oito anos e fracassou. Esse é o problema. Mais grave, o partido ainda não foi capaz de se reformular e redefinir suas alianças. Está, particularmente, atado a duas, com o DEM e o PPS - uma, a primeira, em estado terminal; a outra, a segunda, sem peso nenhum, quase um satélite.

Daí todo o esforço deles, via mídia, no ano passado, para romper a aliança PT-PMDB. De novo, agora, via denúncias de corrupção, perseguem o mesmo objetivo. Só que, enquanto isso, nos Estados o PSDB se alia a esses mesmos partidos, com a mídia escondendo as denúncias de corrupção em seus governos.

Basta ver a quase nenhuma repercussão das denúncias dos deputados estaduais paulistas Bruno Covas (PSDB) e Roque Barbiere (PTB) sobre a compra de apoio de deputados via emendas dirigidas e cobranças de propina.

Tudo feito com conhecimento do governo tucano do Estado, conforme adianta hoje o deputado Barbiere, ao reafirmar que comunicou a prática de cerca de 30% dos deputados estaduais paulistas da base do governo estadual de comprar e vender emendas parlamentares a empreiteiras, prefeituras...
 
Com blogs

02/09/2011

A escandalosa e temerária privatização de hospitais feita por Alckmin

Escandalosa e temerária, para dizer o mínimo, essa decisão do governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, de reservar 25% dos leitos dos hospitais públicos administrados por Organizações Sociais de Saúde (OSs) para pacientes conveniados a planos de saúde privados.

Em muito boa hora, portanto, o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-SP), numa decisão clara e direta, concedeu liminar favorável a ação movida pelo Ministério Público contra o Estado, por conta dessa lei suspendendo, assim, esse decreto do governador do PSDB. O decreto do governador revela, nada mais, nada menos, que o grau de segurança que ele tem na impunidade quanto a atos dessa natureza que comete - uma segurança que ele sente graças ao apoio que lhe é dado (e ao tucanato, em geral) pela mídia.

Evidente que o governador não tomou essa decisão e assinou esse decreto à toa: ela tem o propósito de desmontar o Sistema Único de Saúde (SUS), além de se constituir em um privilégio concedido aos planos de saúde, já que os custos dessa irresponsabilidade, de R$ 500 milhões no mínimo com internações por ano,  serão, ao final e como tem sido sistematicamente, pagos pelo poder público - ou seja, pelos contribuintes.

Justiça: medida de Alckmin "favorece dupla porta de entrada"


Agora a liminar proíbe que o Estado celebre contratos de gestão, alterações ou aditamentos com OSs, estando estabelecida, inclusive, multa diária de R$ 10 mil em caso de desrespeito à decisão.  Na liminar, o TJ-SP diz que a lei e o decreto "são afrontas ao Estado de Direito e ao interesse público primário da coletividade".

Ele adverte, ainda, que a medida assinada pelo governador paulista "favorece à prática de "dupla porta" de entrada, selecionando beneficiários de planos de saúde privados para atendimento nos hospitais públicos." Impressionante, também, o balanço exposto pela Promotoria na ação civil pública. O balanço mostra que hoje as OSs já administram 52 hospitais no Estado, responsáveis por 8 milhões de atendimentos em 2008.

Assim, diz a Promotoria, a permissão de uso de 25% destes leitos por pacientes de planos privados já representa a perda de 2 milhões de atendimentos públicos. Por isso, os conselhos Nacional e Estadual de Saúde, e o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado já se manifestaram contra a concessão dos leitos, sustentando, inclusive, que com a perda dos leitos nos hospitais estaduais, as redes municipais de saúde pública ficarão sobrecarregadas.

Levantamento da Secretaria de Saúde do Estado revelado pelo pesquisador da USP Mário Scheffer, especialista em saúde pública, "aponta que um em cada cinco pacientes atendidos em hospitais estaduais na capital têm algum tipo de convênio ou plano de saúde. Mas quem já paga essa conta, avaliada em R$ 468 milhões anuais, é o SUS."
 
Com blogs

19/08/2011

Imprensa corrompe justiça atrás de notícias

É impressionante como no Brasil se expoem pessoas em processos judiciais, desde a denúncia de fatos potencialmente criminosos a prisões de cidadãos, culpados ou não. E isso tem um efeito devastador: uma imagem percorre o mundo instantaneamente, pelos jornais, TVs e internet, fazendo enorme estrago à vida de eventuais envolvidos depois inocentados.

De um lado, há o interesse espúrio em obter "furos" jornalísticos a qualquer preço, mesmo que seja pago mesmo. Aí entra o favorecimento de servidor público mediante pagamentos irregulares, no popular: corrupção. No caso mais flagrante, as pessoas presas pela Polícia Federal na Operação Voucher, que apura desvios no Ministério do Turismo, tiveram suas fotos que fazem parte da qualificação do processo, sem camisa e segurando um papel com a identificação.

Hoje 16 dos presos foram libertados mediante fiança, e se houver alguém inocente ao final do processo, já terá tido a vida destruída pela ação criminosa da imprensa e dos funcionários públicos corruptos que forneceram documentos para as notícias. Até a presidente Dilma protestou contra o abuso. Isso não é coisa de "paparazzi", fotógrafos "free lancer" (trabalham por conta própria fuçando intimidades alheias para vender suas fotos à imprensa), que furtivamente capturam suas imagens, nem sempre de forma legal.

Apesar de haver predisposição popular contra suspeitos de crimes, e incompreensão cultural do que seja direitos humanos, há mercado para a desgraça alheia, motivo pelo qual a mídia paga propinas para conseguir documentos, o estado deve garantir o direito à dignidade, por mais hediondo que seja o delito. Se os criminosos são cruéis, não cabe ao estado ser também, até porque há a presunção de inocência até que seja transitada em julgado a sentença.

No caso do ex-diretor geral do FMI, Strauss-Kahn, as únicas fotos divulgadas foram as obtidas em lugares públicos. Nos Estados Unidos os tribunais de júri não permitem fazer imagens dos julgamentos. A própria imprensa de lá tem pudor na exibição de fotos tanto de presos como de tragédias. Alguém viu alguma foto de mortos no atentado de 11 de setembro de 2001? Nem de caixões chegados das guerras eram permitidas imagens nos EUA.

Aqui a imprensa já mora nas delegacias e consegue "favores" dos burocratas para entrevistar criminosos, e até mesmo os fazem confessarem diante das câmeras, sem direito a advogado. Também é comum o repórter esculachar o preso com acusações, insinuações e até fazendo os policiais os obrigarem a exibir o rosto. Como o direito à privacidade do cidadão é letra morta para os servidores públicos, por falta de noção ou por ganharem dinheiro com isso, é que temos as centrais de dossiês, patrocinados até pelos governos, como recentemente foi descoberto em São Paulo. Só que essa notícia, a mídia escondeu por respeitar os direitos dos políticos tucanos.

04/08/2011

Estelionato Político em SP- Alckmin fez cortes em todas as áreas


Contra fatos, não há argumentos. Os números do governo Geraldo Alckmin (PSDB) comprovam que sua gestão praticamente “paralisou” os investimentos públicos nestes primeiros seis meses de 2011. É o que revela o artigo dos assessores da liderança do PT na Assembléia Legislativa Eduardo Marques e Emílio Lopes, economista e sociólogo, respectivamente, que publicamos com exclusividade hoje neste blog.

Os dois autores informam que, mesmo diante de um aumento de 5,47% na arrecadação em relação ao ano anterior, os investimentos estaduais executados caíram nada menos do que 52% no mesmo período. Isso, num momento em que a arrecadação cresce. De janeiro a junho de 2011, o governo estadual teve uma arrecadação superior em ICMS e IPVA (os dois principais tributos estaduais) de quase R$ 6 bilhões em relação ao mesmo período de 2010.

Também os investimentos diretos do governo Alckmin e os repasses para as empresas, 42,7% menores do que no ano passado. Enquanto em 2010 estes repasses haviam sido de R$ 1 bilhão, em 2011 eles foram inferiores a R$ 600 milhões.

Tesoura "democrática"

Os autores do artigo destacam a queda de 56,9% no valor gasto com “obras e instalações” – de R$ 2,4 bilhões em 2010 para R$ 1 bilhão em 2011. Na verdade, a tesoura de Alckmin foi democrática. Não houve área em que não tenha feito o seu estrago. Inclusive as sociais. Na educação, a queda dos investimentos foi de quase 63%. Entre os programas mais prejudicados pela medida estão os de construção de escolas e de apoio às APAES.

Na saúde, a queda dos investimentos é um escândalo em si. Os volumes caíram 71%, prejudicando principalmente as Santas Casas (entidades filantrópicas), os repasses para as organizações sociais e os investimentos nas unidades e serviços de saúde administrados pelo próprio Estado.

O mesmo deu-se nos transportes, onde os investimentos foram 56,7% menores. Com as restrições, minguaram os recursos para a duplicação e recuperação das rodovias estaduais e na ampliação e modernização dos aeroportos estaduais.

Bandeira tucana

Uma das bandeiras da administração tucana, a segurança, tampouco ficou imune aos os cortes. Os recursos da área caíram em 45,8%. Com isso, as ações de re-aparelhamento da polícia civil perderam um ritmo significativo.

Como bem dizem os autores do artigo, nestes tempos de balanço do Programa de Aceleração do Crescimento/PAC do governo federal, quando a grande imprensa apressou-se em observar que os investimentos federais foram 10% inferiores no primeiro semestre de 2011, em relação ao mesmo período de 2010, estranhamos a timidez com que a gestão do Estado de São Paulo é acompanhada pelos principais jornais.

Com blogs

28/06/2011

Dilma veta medida que beneficiaria bancos na quitação de dívidas

A presidente Dilma Rousseff sancionou com vetos a Lei 12.431. Entre os vetos está o do artigo que permitia o pagamento de dívidas com o governo, usando títulos públicos antigos. A medida beneficiaria donos de bancos que poderiam liquidar dívidas contestadas judicialmente pelo valor integral dos títulos, atualmente bem maior que o valor de mercado. A lei foi publicada no Diário Oficial da União.


A Lei nº 12.431 resulta da Medida Provisória (MP) nº 517, aprovada pelo Congresso Nacional no início de junho e trata de vários assuntos. A MP foi um dos últimos atos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a editou no penúltimo dia de seu mandato.

Além de vetar a quitação de dívidas com títulos públicos pelo valor original, a presidente Dilma Rousseff também vetou mais dois artigos do texto, um que permitia às sociedades anônimas, com ativos inferiores a R$ 240 milhões ou receitas brutas anuais inferiores R$ 500 milhões, publicarem suas demonstrações financeiras na íntegra apenas na internet. A presidenta considerou que a publicação apenas na internet "não assegurava adequadamente a publicidade e a transparência dessas informações aos acionistas e à sociedade".

Dilma Rousseff também vetou o artigo que revogava a exigência da estimativa de renúncia fiscal das universidades inscritas no Programa Universidade para Todos no termo de adesão pelo Ministério da Educação. O governo considerou que a presença dessa informação no termo de adesão é "mecanismo relevante para a avaliação do impacto dos benefícios fiscais concedidos".

Da web

23/04/2011

Da Série Tucanalhas - O consultor, o motorista e Niger

Duas semanas atrás, ÉPOCA revelou segredos dos e-mails do consultor Roberto Figueiredo do Amaral – o ex-diretor da construtora Andrade Gutierrez que trabalhou, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, para o Opportunity, a marca dos fundos de investimento comandados pelo financista Daniel Dantas. As mensagens de Amaral a que ÉPOCA teve acesso foram enviadas entre 2001 e 2002, período em que ele assessorava Dantas na maior disputa societária da história do capitalismo brasileiro: a briga do Opportunity contra fundos de pensão e sócios estrangeiros pelo controle de empresas de telefonia. Elas revelam detalhes de como Amaral trabalhava e de como ele conduzia a defesa dos interesses de seus clientes. Vários dos e-mails eram endereçados aos ajudantes de ordens do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC negou a ÉPOCA tê-los recebido). Um outro personagem também chamou a atenção dos investigadores da Polícia Federal. Eles suspeitam que alguns e-mails eram dirigidos ao secretário particular de José Serra, então candidato à Presidência da República pelo PSDB.

Os e-mails foram apreendidos na casa de Amaral em dezembro de 2008, no curso da Operação Satiagraha. Desencadeada para investigar acusações de crimes financeiros contra Dantas e o Opportunity, a Satiagraha gerou um sem-número de controvérsias e diversas provas recolhidas na investigação foram questionadas pelos réus. A autenticidade das mensagens de Amaral foi atestada por uma perícia da PF e, desde junho de 2009, elas estão na Procuradoria-Geral da República, para onde foram remetidas pelo Ministério Público Federal em São Paulo, por conter alusões a autoridades com foro no Supremo Tribunal Federal. O procurador-geral Roberto Gurgel deverá decidir se há nelas indícios que justifiquem a instauração de uma nova investigação policial. O advogado de Amaral, José Luiz de Oliveira Lima, afirma que seu cliente não discute o conteúdo dos e-mails, pois eles teriam sido apreendidos de forma ilegal, “desprezando princípios processuais e constitucionais”. No momento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) discute a legalidade das provas obtidas pela PF na Satiagraha.

Ao analisar os e-mails, a PF e o Ministério Público Federal de São Paulo concluí­ram que Amaral recorria a codinomes e a mensagens cifradas para evitar a identificação de seus interlocutores. Segundo escreveu o procurador da República Rodrigo de Grandis, em denúncia aceita pela Justiça, Dantas era tratado por Amaral como “DD”. (Dantas negou, por meio de sua assessoria, ter sido autor dos e-mails.) Quando escreve a – ou sobre – Andrea Matarazzo, o então embaixador do Brasil na Itália, Amaral sempre se refere a ele como “Conde” (leia as mensagens ao final do texto) . Um outro nome frequente é “Niger”, em geral associado a e-mails enviados ao endereço luizpauloarcanjo@uol.com.br. Trata-se, de acordo com os investigadores da PF, do endereço eletrônico que era usado por Luiz Paulo Alves Arcanjo, secretário particular e motorista de Serra. Nos e-mails remetidos por Amaral a luizpauloarcanjo@uol.com.br, ele escreve como se falasse diretamente com Serra, menciona assuntos de interesse de Dantas e exige providências no âmbito do governo em relação a eles. Serra negou a ÉPOCA, por escrito, ter recebido ou tomado conhecimento desses e-mails (leia suas respostas) . Não há nenhuma prova de que ele tenha intercedido em favor das pretensões de Amaral. Em duas ocasiões, porém, as ações do governo FHC coincidiram com essas pretensões.

A primeira foi no começo de maio de 2002. No dia 30 de abril de 2002, Amaral enviou às 15h39, de seu endereço eletrônico rdo@uol.com.br, um e-mail a luizpauloarcanjo@uol.com.br. No e-mail, ele protesta contra a nomeação do economista Andrea Calabi para uma das cadeiras do Conselho de Administração do Banco do Brasil (BB), efetivada cinco dias antes. Ligado a Serra, Calabi fora presidente do BB e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas estava fora do governo FHC desde 2000. Naquele momento, Calabi era conselheiro da Telecom Italia e atuava na mediação da disputa societária que os italianos e a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do BB, travavam contra Dantas pelo controle da Brasil Telecom. Ainda que a Telecom Italia e a Previ fossem aliadas, haveria um conflito potencial de interesses se Calabi assumisse posição em ambos os conselhos. Mas também não era de interesse de Dantas que ele mantivesse um posto estratégico no banco patrocinador da Previ. Amaral terminou seu e-mail com o texto a seguir grifado: “Cabe a vc resolver este assunto. Assim não dá. Estou engajado na sua campanha. Não preciso disto e isto é uma bofetada na minha cara”. Oito dias depois da mensagem, Calabi deixou o Conselho do BB. Ficou na função apenas duas semanas.
Fotos: Daniel Aratangy/revista Joyce Pascowitch e Renato Stockler/Na Lata/Editora Globo
 
IDEIA DO SERJÃO

 
De acordo com amigos de Roberto Amaral (à esq.), foi o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta quem deu a Serra (à dir.) o apelido de “Niger”. “Era uma referência àquela cerveja de Ribeirão Preto, escura e amarga”, dizem
A segunda ocasião aconteceu no início de junho de 2002. A frequência das mensagens enviadas por Amaral ao endereço eletrônico atribuído pela PF ao secretário particular de Serra aumentou de intensidade nos dias anteriores e posteriores à atribulada intervenção na Previ, decretada pelo Ministério da Previdência em 3 de junho de 2002. A intervenção tinha como objetivo declarado enquadrar a Previ numa norma legislativa sobre a composição de seus conselhos (deliberativo e fiscal), que ela não seguia e resistia a aplicar. A intervenção também interessava a Dantas, pois afastaria da Previ diretores que a haviam levado a uma posição de confronto com o Opportunity nas empresas de telefonia. Entre eles estavam diretores ligados ao PT, eleitos pelos funcionários do BB.

À 1h27 de 1o de junho de 2002, Amaral enviou a L.P., o rótulo por meio do qual os s programas de correio eletrônico identificam o endereço luizpauloarcanjo@uol.com.br, uma reportagem que informava a intenção do governo de adiar a intervenção na Previ. O título do e-mail era imperativo: “Mate a cobra e mostre o pau”. Seu texto faz recomendações: “O maior inimigo do bom é o ótimo. A intervenção tem que sair e já. O PT cada dia vai criar um fato novo de dentro da Previ. Por ser PT, simplesmente. Um situação é ele criar dentro da Previ. Outra escorraçado de lá e com um monte de pepinos para explicar. (...) A eleição está para você – sei o que estou dizendo e tenho 35 anos de janela – mas atos como este podem levá-lo para o brejo. Aja, por fv, e rápido”. Dois dias depois da mensagem, a intervenção na Previ saiu. No dia 4 de junho, Amaral enviou a L.P. um e-mail com cópia de uma notícia sobre a intervenção. O título era: “Vc é a pessoa de respostas mais rápidas que conheço”.

Vinte e quatro minutos depois de ter enviado esse e-mail, Amaral o reencaminhou ao endereço atribuído a Dantas pela PF. Acrescentou um comentário: “DD: Email para o Niger”. Um dia antes, Amaral enviara ao mesmo endereço uma mensagem em que tecia comentários sobre a intervenção na Previ: “Os objetivos de Niger são os mesmos que os nossos. Ele, Niger, desencadeou a intervenção. Ele vai querer que o interventor aja. Nós queremos que o interventor aja. Niger conhece bem o interventor”.

A referência a Niger nos e-mails encaminhados a luizpauloarcanjo@uol.com.br, segundo Amaral disse a interlocutores de sua confiança, tem uma explicação. Niger era um apelido malicioso que Sérgio Motta, o Serjão, ministro das Comunicações do governo FHC, dera ao amigo Serra. O apelido foi inspirado na cerveja Niger, famosa pelo gosto amargo e produzida em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, até meados da década de 90.

ÉPOCA procurou Luiz Paulo Arcanjo, o secretário particular de Serra, para comentar os e-mails enviados por Amaral. Arcanjo acompanha Serra, pelo menos, desde a década de 90. Foi seu assessor no Senado, nos ministérios do Planejamento e da Saúde, na prefeitura de São Paulo e no governo de São Paulo. Hoje, Arcanjo dá expediente no escritório político de Serra. É descrito como um funcionário da mais estrita confiança do ex-governador, aquele a quem outros assessores recorrem quando precisam localizar Serra. Questionado se usava o e-mail luizpauloarcanjo@uol.com.br, Arcanjo disse: “Pode ser, pode ser”. Depois, encerrou a conversa. Serra respondeu às perguntas de ÉPOCA por e-mail. Afirmou que, numa campanha eleitoral, “milhares de e-mails, bilhetes e faxes são enviados a assessores, assistentes e secretários de candidatos”. Negou que Arcanjo tenha sido intermediário das mensagens de Amaral e que ele as tenha recebido ou respondido.
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A sequência dos e-mails sobre intervenção na Previ
No início de junho de 2002 as mensagens enviadas por Amaral para luizpauloarcanjo@uol.com.br (endereço eletrônico que era usado por assessor de Serra, segundo a PF) passaram a ser mais frequentes. Amaral tratava nos emails da possibilidade de o Ministério da Previdência intervir na direção da Previ, que não havia se enquadrado a uma norma legislativa que regulamentava a composição do seus conselhos deliberativo e fiscal. A intervenção seria benéfica para Daniel Dantas, que queria ver fora do fundo de pensão diretores ligados ao PT que levaram a Previ a confrontar o Opportunity na briga pelo controle de empresas de telefonia.
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13/04/2011

TERRORISMO - BOLSONARO PRETENDIA COLOCAR UMA BOMBA NA ADUTORA DO GUANDU QUE ABASTECE O RIO DE JANEIRO

 

Em sua edição de 28 de outubro de 1987, a revista Veja publicou uma reportagem denunciando que o capitão Jair Messias Bolsonaro e um outro identificado apenas como Xerife iriam explodir bombas "em várias unidades da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, no interior do Rio de Janeiro, e em vários outros quartéis".

Bolsonaro criticou o ministro do Exército da época Leônidas Pires Gonçalves, a quem chamou de incompetente e racista por ter chamado os militares de "uma classe de vagabundos mais bem remunerada do país". Bolsonaro concordou em parte com a crítica do ministro e disse: "Só concordamos em que ele está realmente criando vagabundos". A parte salarial era a questão de fundo do seu descontentamento.

Ele afirmou à repórter que iriam explodir bombas para "mostrar a insatisfação com os salários e criar problemas para o ministro Leônidas".

A reportagem é que caiu como uma bomba no colo do ministro. O general procurou pelos dois conspiradores, mas Bolsonaro e Xerife negaram tudo e tentaram jogar a bomba no colo da repórter. O ministro convocou a imprensa e afirmou:

"Os dois oficiais envolvidos, eu vou repetir isso, negaram peremptoriamente, da maneira mais veemente, por escrito, do próprio punho, qualquer veracidade daquela informação."

Só que Bolsonaro cometeu um erro. Havia desenhado peremptoriamente, da maneira mais veemente, por escrito, do próprio punho o croqui da bomba que seria colocada na Adutora do Guandu, que abastece de água o Rio de Janeiro. E a repórter ficou com o croqui.


A revista entregou o material ao ministro e este, após quatro meses de investigação, concluiu que a reportagem estava correta e os capitães haviam mentido.

A revista se vingou da fonte colocando foto de Bolsonaro ilustrando o reconhecimento do ministro, com a seguinte legenda: "Bolsonaro: mentira".

O caso foi entregue ao Superior Tribunal Militar. A expectativa era de que Bolsonaro seria expulso do Exército, segundo um oficial do STM declarou à revista. Mas, contra todas as provas, Bolsonaro foi absolvido.

Por que absolvido? Pelo mesmo motivo que o tornou conhecido, que o elegeu e elege até hoje: a luta por melhores salários e pensões para os militares. É também por esses votos que ele dá as declarações que dá. E adora a repercussão.
 
Por Antônio Mello

03/04/2011

Em Defesa do Monopólio da Informação - Governador tucano imita Serra e lança ataques à mídia alternativa

Não é por “problemas técnicos” que, volta e meia, o blog do jornalista Esmael Morais (http://esmaelmorais.com.br) sai do ar. A página, uma das mais influentes do Paraná, sofre ataques à margem da lei do governador Beto Richa (PSDB) — que não suporta a publicação de nenhum tipo de crítica ou mesmo notícia que lhe seja desfavorável.

Richa promove uma versão alternativa do modo tucano de reprimir jornalistas independentes. O expoente maior dessa tradição é o ex-governador José Serra. Se um jornalista da grande mídia o incomoda com perguntas indesejáveis, Serra não pensa duas vezes: telefona para o dono da empresa e pede a demissão do desavisado entrevistador.

No caso dos blogueiros — que não têm patrão —, o ex-governador se limita a lançar infâmias contra eles, tachando os blogs progressistas de “falanges do ódio”, “sujos”, entre outros rótulos. Beto Richa também partilha da estratégia de patrulhar a imprensa e ofender a blogosfera — mas, como não tem tanto apoio midiático quanto Serra, faz parcerias é a com a Justiça.

Um tema particularmente constrangedor para o tucano — e corajosamente denunciado pelo Blog do Esmael — diz respeito ao chamado Comitê Lealdade. Em 2008, quando Richa disputou a reeleição à Prefeitura de Curitiba, o PRTB decidiu apoiar Fabio Camargo (PTB). De uma hora para outra, 23 candidatos a vereador do partido desistiram da candidatura, anunciaram uma inusitada dissidência e organizaram a fundação de um comitê em apoio a Richa.

Soube-se, meses depois, que a adesão foi paga com "Caixa 2" (dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral) e cargos na gestão municipal. O chefe do esquema era Alexandre Gardolinski, que foi pessoalmente indicado por Richa e se responsabilizou pelos pagamentos — em espécie. O Comitê Lealdade parecia funcionar como fachada.

Em depoimento ao Ministério Público Regional Eleitoral do Paraná, o empresário Rodrigo Oriente — um dos arrecadadores do Comitê Lealdade — denunciou a participação pessoal de Richa na negociata. O órgão confirmou a existência de "Caixa 2", mas inocentou o prefeito — apesar de a Resolução 22.175/2008 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dizer que “os candidatos são responsáveis solidários por qualquer informação ou ilegalidade” na campanha.

Em 2010, depois de renunciar ao cargo para concorrer ao governo estadual, o tucano tentou emplacar na campanha a fama de “gestor moderno”. Mas a marca mais notória de sua candidatura foi a ofensiva judicial para proibir a divulgação de todas as pesquisas de intenção de votos que mostravam seu adversário, Osmar Dias (PDT), na liderança.

Ao mesmo tempo, Richa desencadeou a perseguição a jornalistas independentes e à mídia alternativa. “Ele já me tirou do ar duas vezes. A censura ao blog começou durante a campanha de 2010”, diz Esmael ao Vermelho. O blog reconstituía as denúncias do Comitê Lealdade e refrescava a memória do eleitor paranaense. “Não fui só eu que disse que houve desvio de dinheiro para comprar políticos. As acusações apareceram até no Fantástico e derrubaram integrantes do alto escalão da Prefeitura.”

Por decisão de um Judiciário local sempre simpático a Beto Richa, Esmael teve de apagar “postagens ofensivas” ao tucano. Para todos os efeitos, o blogueiro aproveitou o próprio blog para denunciar Richa na ocasião:

 
Eu, Esmael Morais, comunico a todos os internautas que por livre vontade visitam o meu blog que medida liminar deferida em ação intentada pelo Sr. CARLOS ALBERTO RICHA (CANDIDATO DO PSDB AO GOVERNO DO ESTADO) determinou a retirada do meu blog de todo conteúdo que considerou ofensivo ao autor. A decisão tem um alcance ilimitado e considero humanamente impossível verificar mais de 20 mil postagens. Isto levaria semanas ou talvez meses.

Assim, em razão da decisão não indicar expressamente quais as inserções seriam ofensivas, e diante da ameaça de imposição de multa e retirada do site do ar, decidi, por cautela, suspender as inserções até que seja delimitado o alcance da decisão.

Estou adotando as medidas judiciais para revisão da referida liminar, ingressando com os recursos cabíveis, de modo a continuar expressando a minha opinião.

“Como eram mais de mil publicações sobre o Richa, pedi para o juiz determinar o que é e o que não é ofensivo. No final, sob ameaça de receber multa de R$ 10 mil por dia, tive de retirar umas 500 postagens, a maioria sobre o Caixa 2”, recorda-se.

Foi tão-somente o começo de uma férrea perseguição. Segundo Esmael, Richa passou a atacar a empresa Locaweb, que, coagida, suspendeu a hospedagem do blog. “Consultei especialistas: só é permitido retirar um blog do ar quando a publicação de conteúdos é anônima. Mesmo assim, fui censurado.”

O jornalista trocou a Locaweb pela americana Just Host em outubro de 2010— mas a repressão não cessou. Na semana passada, a pedido dos advogados do governador, a Just Host tirou do ar, por alguns dias, o Blog do Esmael — o jornalista estaria movendo uma “campanha de ódio” ao tucano. “O governador censura porque não quer ser alvo de críticas. É uma violência, um crime. Ele pode procurar a Justiça, mas jamais atentar contra o Estado Democrático de Direito.”

O caso Esmael já repercute na blogosfera, em emissoras paranaenses de rádio e até na grande mídia. “Conversei longamente, na última sexta, com a repórter Estelita Carazzai, da Folha — mas, até agora, não saiu nada.”

O jornalista promete levar sua causa ao 1º Encontro Estadual dos Blogueiros Progressistas do Paraná, que ocorre nos dias 9 e 10 de abril, em Curitiba. “Num dos painéis do encontro, sobre censura, defenderei a construção de um sistema de hospedagem blindado e imune, com gestão pública”, diz. “Para fazermos blogs políticos que desagradem ao status quo, não podemos ficar reféns dessas empresas privadas, geralmente associadas ao capital estrangeiro.”

Da web

18/03/2011

CORRUPÇÃO NA OPOSIÇÃO - DURVAL E O VENTILADOR

 

Desde antes do carnaval, o multi-processado Durval Barbosa, talvez acossado pelo abandono, quiçá sentindo-se cercado, com problemas familiares decorrentes de briga com a ex e em vias de ir perdendo patrimônio e sem o glamour que alguns tentaram, por conveniência, criar em torno de sua figura como se pelo fato de ter revelado suas atividades criminosas e parte de seus cúmplices e comparsas, isso o tornasse figura de biografia imaculada… a verdade é que por alguma razão ele sentiu necessidade de dar sinal de vida e voltou a trazer vídeos que são saudados com estardalhaço por viúvas de Roriz e Arruda, que junto com agrupamentos diversos, ainda saúdam Durval como a esperança…

Trata-se de material requentado, partes complementares de material anteriormente editado e divulgado – dentro de um processo de blefe e de chantagem, contando com o beneplácito da chamada ‘delação premiada’. Neste sentido, é importante observar o que disse Roberto Gurgel, no Correioweb:

“Questionado sobre o risco de Durval perder a delação premiada, o procurador-geral foi incisivo ao dizer que as gravações não podem ser entregues a “conta-gotas”, como ocorreu no caso do vídeo divulgado no último dia 4 em que a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) e o marido, Manoel Neto, recebem R$ 50 mil. “Na verdade, ele tem a obrigação de entregar o todo o material que ele tenha de uma só vez. A partir do momento em que ele estabelece uma entrega, digamos em conta-gotas, ele está sim rompendo os termos do acordo”, alerta Gurgel. “O Ministério Público não será instrumento de um tipo de conduta que não parece conveniente à Justiça, mas sim a outros interesses e a interesses certamente escusos”, completou.
É hora sim de dar um basta na palhaçada e na patifaria.

Que revele o nome das pessoas, dos magistrados, dos integrantes do Ministério Público, dos jornalistas e deixe de usar uma vasta rede de fofocas para tentar vender o material como tem sido insuando por alguns. É certo que o fim dos aportes financeiros cotidianos irá gerar uma redução de sua capacidade de cobrir custos com advogados e outras necesidades jurídicas para se livrar da condenação futura.

Brasília não merece ficar refém dos estertores de uma quadrilha que tomou de assalto o poder em janeiro de 1999 – inclusive com tentáculos dentro do governo que foi eleito com o compromisso de oportunizar ao DF e aos seus moradores ‘um novo caminho’.

Não me move nenhum sentimento de culpa ou de medo, apenas de nojo em face desta novela onde patifaria tenta se passar por heroísmo…

Por Alfredo Bessow

08/03/2011

Farra com dinheiro público: Gastos do governo de São Paulo com passagens e locomoção sobem absurdos 16% em dois meses

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), assumiu o mandato pedindo auditoria das contas do Executivo paulista e contenção de gastos - especialmente com viagens. Mas nos dois primeiros meses de gestão as despesas com passagens e locomoção do governo paulista subiram 16,2% em relação ao mesmo período de 2010.

Dados do Tesouro estadual demonstram que o governo desembolsou neste ano R$ 26,7 milhões, em valores liquidados, com passagens. O montante é R$ 3,8 milhões maior do que o aferido no primeiro bimestre de 2010, de R$ 22,9 milhões. O incremento nos gastos é baseado em levantamento feito pela liderança do PT na Assembleia, a pedido do Estado, no Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo), da Fazenda estadual.

O aumento vai na contramão do primeiro ato de governo de Alckmin. Em janeiro, como medida "cautelar", o tucano congelou R$ 1,5 bilhão do Orçamento paulista e disse a seus secretários para "andar de helicóptero só em caso de enfarte do miocárdio". Emitiu, sobretudo, um alerta para contenção de gastos e custeio.

Ao todo, das 25 secretarias paulistas, 15 incrementaram os gastos com passagens, apenas 3 viram redução nos valores e 3, recém-criadas, não têm base de comparação com 2010 para aferir a variação. Para o governo, "as despesas verificadas são perfeitamente compatíveis com o novo desenho" da gestão.
Da web

19/02/2011

Arautos da cizânia"

 

pimenta_entrevistaQuando o Presidente Lula levou ao Partido dos trabalhadores e à sociedade brasileira a sugestão de que a candidata do PT a sua sucessão fosse a então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Roussef não foram poucos os críticos e os céticos.
Adjetivos dos mais variados, desde os educados que questionavam sua experiência e capacidade política, até os mais indelicados que chegaram ao disparate de compará-la a um poste.

Alguns dos críticos mais ácidos, líderes da oposição e articulistas da grande mídia, em boa parte os mesmos que há 8 anos decretaram que a aventura de eleger um operário seria desastrosas, voltaram agora a "alertar o país para o eminente risco que significaria eleger alguém que nunca disputou uma eleição. "Ele não fala inglês, diziam alguns. "Não estudou na universidade", comentavam outros. "Ele é radical e nunca governou". "O risco Brasil vai disparar, a inflação vai subir e o país vai quebrar", categoricamente foi anunciado.

O tempo, senhor da razão, desconstituiu os medos, preconceitos e teses catastrofistas. O Brasil viveu oito anos de retomada e crescimento econômico, geração de emprego, distribuição de renda, inclusão social, estabilidade e protagonismo internacional. Após eleger um operário, o povo brasileiro elegeu a primeira mulher para governar o Brasil. Os desafios e expectativas são extraordinários, os investimentos necessários, os ajustes na máquina do Estado, o aprimoramento das políticas públicas, o cenário mundial está a exigir capacidade de formulação e qualidade de gestão da "coisa pública".

O curioso é que o preconceito volta a rondar a pauta política, ainda um pouco disfarçado e envergonhado. Os mesmos que condenaram Lula e Dilma, suas campanhas, suas, idéias, suas histórias e trajetórias, agora escrevem artigos como se descobrissem a América, e dizem: "Ela é boa". "Ela é melhor". "Ela é capaz". Como se elogiar Dilma, fosse uma forma de atingir Lula e seu legado. Ledo engano. Logo ele, que a convidou para o Ministério, levou-a para Casa Civil, que acreditou na sua capacidade e ousou apresentar uma mulher como candidata, e que na realidade é o grande responsável por sua eleição.

Reside aí o equívoco dos "arautos da cizânia", que apostam em suposições, que até são compreensíveis, pois cada um lê a realidade a partir de suas experiências e seus valores. Quando governam, enxergam o Estado como um quintal de suas casas e uma extensão de seus negócios, e que têm na mídia conservadora um canal subserviente para dar credibilidade aos seus desencantos e frustrações.

O sucesso do Governo Dilma é o sucesso do Governo Lula. O governo Lula/Dilma, Dilma/ Lula é mais do que um projeto pessoal de políticos tradicionais e sim a afirmação de um novo momento que oferece ao país uma chance de fazer justiça, combater a miséria e continuar avançando.

Por Paulo Pimenta, deputado federal (PT-RS)

28/01/2011

E o José Serra, hein? Não o querem para nada

A tucanada está implacável. Uma rasteira atrás da outra, muitas destas armadas na surdina, bem ao estilo do próprio José, e uma não tão escondida aliança entre os parceiros, governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o ex-governador de Minas, senador eleito, Aécio Neves (PSDB-MG), estão reduzindo a pó as pretensões de José Serra. Candidato tucano ao Planalto, derrotado no ano passado (e em 2002), José mantém-se decidido a concorrer de novo a presidente em 2014.

Os tucanos não o querem nem como presidente do Instituto Teotonio Vilela, de estudos do PSDB. Como presidente nacional do partido, então, nem pensar. Numa articulação tramada por alckmistas e aecistas, a bancada de deputados federais do partido reunida ontem em Brasília foi logo assinando um manifesto a favor da continuidade do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) no comando nacional da sigla.

Nada menos que 53 dos 55 deputados que constituem a bancada federal tucana assinaram o manifesto que fecha a Serra as portas de postos que ele sonhava conquistar. O documento tem, também, a adesão de grande parte da bancada de senadores do PSDB, todos empenhados em se livrar de seu algoz na campanha eleitoral do ano passado.

Detalhe: em outra decisão, os deputados tucanos derrotaram José Serra mais uma vez e elegeram como líder da bancada o candidato apoiado por Alckmin, Duarte Nogueira (PSDB-SP).

Aliança café com leite vai de vento em popa


A aliança café-com-leite (São Paulo-Minas), que já se impôs com muito sucesso na República Velha, até 1930, vai de novo de vento em popa. A locomotiva São Paulo atrelou em sua composição uma 2ª e poderosa locomotiva, a mineira, com Aécio como maquinista. E Alckmin, na confortável posição de quem pode, em 2014, disputar a reeleição ou pensar, de novo, em concorrer à Presidência da República.

Já para José Serra, não dão nem deixam nada. Pelo jeito vão mesmo hegemonizar e dirigir o PSDB, apesar dos protestos do senador eleito por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB-SP). Aloysio falou em rolo compressor, constrangimento, aviltamento da democracia interna tucana...Aloysio foi chefe da Casa Civil de José Serra governador.

Tudo aquilo que os rivais tucanos do serrismo desprestigiados, massacrados, não ajudados na campanha passada e alijados, autoritariamente, da disputa presidencial diziam sobre José Serra na corrida pelo Planalto no ano passado. A tucanada virou adepta da tese de que a vingança é um prato que se come frio e dá o troco agora a José Serra.


Com blogs

18/01/2011

São Paulo: o caos e a falta de providências

As autoridades estaduais tucanas de São Paulo e as municipais demotucanas da Capital continuam as grandes surdo-mudas em relação à tragédia provocada pelas cheias no país. Sim, apesar de desaparecido do noticiário quanto a esses dramas, o Estado e a capital paulistas continuam padecendo com congestiomentos, caos,  e paralisações diárias provocadas pelas chuvas de verão.

É feia e grave a situação paulista e paulistana. Continuam as chuvas/alagamentos/enchentes diárias e ainda ontem os jornais noticiavam que, com elas chegam  agora as doenças e até as epidemias. A leptospirose, por exemplo, avança em São Paulo.

Apesar da questão ter sumido dos noticiários, São Paulo continua a viver situção de calamidade e emergência, sem que o governo - o mesmo, dos tucanos, há 16 anos no poder - os poderes públicos municipais e estaduais anunciem medidas de médio e longo prazos para o problema. Só algumas poucas, de curto prazo. Não traçam, sequer uma política com foco nas regiões metropolitana, ainda que estejam no Estado as maiores do país.

São Paulo continua só com medidas paliativas


Sem falar que nada se diz ou faz em relação a questão das barragens que apenas continuam sendo abertas improvisadamente numa demonstração clara de que o Estado precisa de um plano para a administração e gerenciamento desses reservatórios.

Em Pedreira, por exemplo (região de Campinas), a represa Jaguari começou a vazar, causando duas grandes erosões em áreas vizinhas - a cidade já havia sofrido inundação na semana passada em decorrência da abertura dessas comportas.

Assim, e com abertura improvisada de suas barragens, São Paulo continua sem uma política específica, de longo prazo, que estude a implantação e manutenção desses reservatórios. Continua, também, sem uma política habitacional e de ocupação do solo urbano digna desse nome.

Tampouco dispõe de medidas (de uma política) urgentes para deter a concessão ilegal e irracional de alvarás de construção em áreas de risco, ou até mesmo a permissão de loteamentos clandestinos. Não vamos resolver essa situação, nem deter os riscos de novas tragédidas se não adotarmos, no Estado de São Paulo e no país políticas nessas linha. Com a palavra o poder público.

09/01/2011

#dilmafactsbyfolha volta aos TTBr

Está virando prática cada vez mais corriqueira. Folha de S.Paulo transforma uma suposição em fato, ou inventa uma notícia qualquer que desmoralize Dilma. Ao jornal, falta a prática saudável e pressuposto de qualquer coisa que se diga jornalismo, a de checar os fatos. Quando não inventa, distorce e aumenta a notícia, invertendo a ordem de importância dos fatos, que se baseia, entre outras coisas, em novidade, proximidade, interesse público. Foi isso que fez durante as eleições. Agora, parte de uma observação e deduz uma informação, que publica como verdadeira. Pouco depois, tem que lidar com o ridículo de descobrir que é falsa.

A última do periódico paulista foi inventar a notícia de que Dilma, por iniciativa própria, tirara de seu gabinete um crucifixo e uma Bíblia. Da forma como foi estruturada, a informação tem o claro objetivo de indispor a presidenta com os religiosos. Nota-se pela estrutura do texto: as primeiras duas linhas informam a retirada; as duas seguintes lembram que Dilma se disse católica durante a campanha. Dedução do leitor: Dilma mentiu. Os que querem uma presidenta religiosa se decepcionariam com a falta de fé; os demais, com a falta de comprometimento com a verdade.

Depois de publicada a matéria, a ministra da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas, explicou que o crucifixo era um presente ganhado por Lula, que foi junto na mudança, e que a Bíblia continua lá, no mesmo lugar, conforme divulgado pelo Viomundo.

Além disso, sabe-se lá por que motivo, ainda inventou a mudança de um computador de mesa por um laptop. Igualmente falso.


O resultado? A Folha volta a virar piada, perde a oportunidade de recuperar a credibilidade do jornal. A chamada grande imprensa brasileira mostra-se engessada em um modo antiético de atuar, no seu papel de oposição – como admitiu a presidente da Associação Nacional dos Jornais -, distorcendo a realidade em prol de interesses político-econômicos específicos. O maior jornal do país não se pode dar ao luxo de publicar uma informação sem checar umas duas ou três vezes, pelo menos. Não pode, de forma alguma, divulgar uma mentira.

Erros acontecem, mas não podem ser por falta de checagem – ainda mais de um fato tão pequeno e simples de se averiguar como esse -, muito menos intencionais. Quando assim são, derrubam a credibilidade do jornal. Tornam-no ridículo.

A tag #dilmafactsbyfolha – a expressão usada pelos usuários do Twitter para ridicularizar o jornal, atribuindo a ele manchetes impossíveis -, que, pela segunda vez, chegou aos trending topics brasileiros, é um retrato da insatisfação dos internautas, senão dos leitores de um modo mais geral, com a forma de se fazer o que a Folha chama de jornalismo.

Ou a Folha muda para melhor ou definha pelo ridículo.

Por Cristina P. Rodrigues

29/12/2010

Lula, Serra e o pré-sal que ele ia dar às multis

Após a divulgação do balanço de seus oito anos de governo, o presidente Lula não poderia deixar de dar, realmente, uma resposta ao candidato derrotado da oposição ao Planalto, José serra (PSDB-DEM-PPS), que programava entregar o petróleo do pré-sal às multinacionais.

Em conversa com Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, José Serra prometeu que,  caso se elegesse presidente,  entregaria  a camada pré-sal às multinacionais do petróleo, às conhecidas "sete irmãs".

"Hoje cochicham contra a Petrobrás na esperança de entregar o pré-sal para as petroleiras internacionais", ironizou o presidente Lula. O chefe do governo dá a resposta a José Serra dois dias após o Wikileaks divulgar telegramas em que diplomatas americanos relatam a conversa do ex-presidenciável tucano com a diretora da Chevron.

"Nós mudaremos de volta"

O site Wikileaks vem veiculando documentos reservados do governo norte-americano em suas relações com o mundo. Segundo o telegrama confidencial, obtido e divulgado pelo portal, José Serra teria prometido a diretora da multinacional mudar o modelo proposto pelo governo para a exploração do pré-sal.

As grandes petroleiras americanas sempre foram contra a mudança no marco regulatório de exploração de petróleo no pré-sal, aprovada pelo governo no Congresso Nacional. A executiva da Chevron tratou do assunto com José Serra e obteve, do então pré-candidato à Presidência da República, a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.

“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse José Serra a Patricia Pradal, na conversa em novembro de 2009, quando o governo brasileiro já tratava da elaboração e aprovação do novo marco regulatório do petróleo da camada.

José Serra agora desmente ter dito o que disse. Inclusive, enviou carta à Folha de S.Paulo, publicada em seu Painel do Leitor, ontem, com o desmentido. Não convence.

Da web

15/12/2010

Quem Não Diria - Governo flagra tucano e uso de laranjas na partilha de emendas

 Parlamentares envolvidos com a investigação feita pela Controladoria-Geral da União (CGU) sobre o repasse de R$ 20 milhões, desde 2008, para dois institutos de fachada, procuraram se eximir de responsabilidade. A CGU identificou um esquema envolvendo empresas fantasmas que usam laranjas.

Os alvos da CGU são os institutos Educar e Crescer e Premium Avança Brasil. As emendas partiram do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), dos deputados Sandro Mabel (PR-GO), Raquel Teixeira (PSDB-GO), Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO), Luciana Costa (PR-SP), Sandes Júnior (PP-GO), e do líder do PTB, Jovair Arantes (GO), entre outros parlamentares.

Parlamentares envolvidos com a denúncia apurada pela Controladoria-Geral da União (CGU) procuraram se eximir de responsabilidade.

Investigação recém-concluída pelo setor de inteligência da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou um esquema envolvendo dois institutos de fachada e empresas fantasmas que usam um frentista de posto de gasolina e um motorista de caminhão como laranjas.

Uma faxineira também aparece como testa de ferro nesse esquema, que levou R$ 20 milhões em emendas parlamentares liberadas pela pasta do Turismo desde 2008.

Os alvos da CGU são os institutos Educar e Crescer e Premium Avança Brasil. Este último, segundo o relatório de investigação obtido pela reportagem, é registrado num endereço onde funciona uma papelaria.

Um jardineiro foi usado para lavar os recursos destinados a shows e eventos culturais. Um dos institutos, o Renova Brasil, tem sede numa vidraçaria.

Relatoria

Autor de emendas para essas entidades, o senador Gim Argello (PTB-DF) renunciou à relatoria do Orçamento na semana passada. Agora, pelo menos R$ 600 mil em emendas de Gim também aparecem para os institutos investigados pela CGU.
Surgem ainda emendas do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), dos deputados Sandro Mabel (PR-GO), Raquel Teixeira (PSDB-GO), Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO), Luciana Costa (PR-SP), Sandes Júnior (PP-GO), e do líder do PTB, Jovair Arantes (GO), entre outros parlamentares.

A investigação da controladoria será compartilhada pelo Ministério Público Federal a partir de hoje, segundo informou ontem à reportagem o ministro da pasta, Jorge Hage. “A CGU vai encaminhar todos os seus achados de inteligência e auditoria ao Ministério Público, para as providências de natureza cível e penal. No âmbito administrativo, o Ministério do Turismo se comprometeu a passar um pente fino nas prestações de contas”, disse. Para Hage, o caso identificado pela CGU pode ter ligação com o esquema descoberto pelo Estado.
Da web
"Aquele que cometeu um erro e não o corrigiu, está cometendo outro erro." Confúcio

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